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Descrição para cegos - Foto de família coreana mostra pai e mãe sentandos no chão sendo reverenciados por três crianças ajoelhadas e curvadas. A cena é observada por outras quatro crianças |
Por Sara Navarro
Por exemplo, se alguém deseja desculpar- se com alguém da mesma idade ou mais nova, a palavra usada será Mianheyo (미안해요) ou Mianhe (미안해), forma mais simplificada. Mas se esse pedido de desculpas se dirigir a alguém mais velho, o modo correto de falar é Joensonghabnida (죄송합니다).
Tal composição do idioma coreano pode parecer aos de fora regras desnecessárias e sem qualquer sentindo. Entretanto, não é. A Coreia tem toda sua cosmovisão e estrutura social baseada nos ensinamentos de Confúcio, originalmente da China. A confissão confucionista tem como base a lealdade familiar, a veneração aos ancestrais, e o respeito aos idosos e mais velhos, por já possuírem em sua trajetória de vida mais experiência e sabedoria. Esses princípios moldaram não só as relações interpessoais dentro da sociedade coreana, mas até mesmo a maneira de expressar a sua língua.
Ainda que essa tradição anteceda o próprio Sejong, o Grande, rei que oficializou o alfabeto coreano (Hangeul), por volta do século V, tais princípios ainda permanecem enraizados na cultura, mesmo no século XXI. A Coréia do Sul, ao contrário do Brasil, não possui um estatuto próprio a favor dos idosos; o respeito aos anciãos é um compromisso social. Segundo um amigo coreano, Joseph Kim, nos ônibus há sim assentos especiais para os idosos, assim como no Brasil. A diferença é que, segundo ele, nenhum jovem usa esses assentos, mesmo que não estejam ocupados. Se alguém se atreve, todos os presentes assistem a tal ação com olhar de reprovação.
É óbvio que a Coréia também tem seus equívocos e que nem tudo funciona tão bem quanto parece. Mas com certeza ela tem muito a ensinar às sociedades que têm cada vez mais valorizado a juventude e a beleza e menosprezado o "velho", o que possui rugas e marcas.
Não precisamos reestruturar nossa língua a fim de que o Brasil tenha o respeito como um princípio, essa não é a questão. Os resultados do respeito e cuidado serão sentidos em outros aspectos e aplicações. Não precisamos ser uma Coreia ou um Japão. Precisamos apenas ser um Brasil em que o respeito seja um princípio e tenha valor em si mesmo.
Annyeong geseyo!*
*Tchau! em coreano!
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